Pesquisar este blog

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Castelo Berkeley

Este é o Castelo Berkeley,na Inglaterra. O local da prisão,e da provável morte, do rei Eduardo II,em 1327.O rei foi acusado de sodomia por ser homossexual. Mas não era só isso. O rei era incompetente no governo. Houve uma revolta de barões no reino, chefiado pelo Barão de Mortimer. Estes perderam,e muitos foram enforcados ou presos. Mas a coisa iria piorar, pois a princesa Isabel de França, filha de Filipe IV da França, e agora rainha da Inglaterra, estava no exílio na França, e pretendia retornar com tropas,e tirar o marido do trono. Teve ajuda de nobres franceses e ingleses. Tomaram o poder, nomearam seu filho Eduardo III,filho de Eduardo II, como rei da Inglaterra. O cenário sombrio ajuda a perceber em como padeceu aquele que foi preso pela mulher e pelo amante dela,o Barão de Mortimer. Mas o castigo veio, literalmente, a cavalo. O Barão de Mortirmer teve a prisão e morte decretada anos mais tarde pelo filho do rei,Eduardo III. O Barão teve seu corpo arrastado pela cauda de um cavalo até a forca,onde morreu.

Na França o conde Roberto D'Artois, ou Roberto III, dava suporte a essa invasão. Existe hoje uma linha corrente entre historiadores que crê que Eduardo II fugiu desse castelo,e morreu na Itália. É baseado numas inscrições de monastérios de Milão. É baseado nessa idéia que foram escritos os livros da série MUNDO SEM FIM, de Ken Follett, dos quais viraram seriado de TV.

A prisão do rei Eduardo II foi planejada não por Mortimer, mas pela rainha Isabel, e seu primo, Conde Roberto D'Artois, em uma reunião nos aposentos do castelo de Fontaineblau. As pessoas chamadas a representar papéis decisivos na história dos povos ignoram, na maior parte das vezes, quais os destinos que neles se encarnam. Aquelas pessoas não poderiam imaginar que elas seriam os artífices, quase os únicos artífices, de uma guerra entre França e Inglaterra. Uma guerra que duraria mais de cem anos...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Vlad III - A sangria no leste europeu

Neste dia 14 de dezembro faz 540 anos que morreu Vlad III, o Empalador. Também conhecido como Vlad Drácula. Aquele que povoou a imaginação do escritor irlandês Bram Stoker. A história do príncipe Vlad, voivoda da Valáquia, está intimamente ligada à queda da cidade de Constantinopla para o Império Otomano,em 1453. Sua história, assim como a lenda que o seguiu, começa na cidade de Sighisoara, no principado da Transilvânia. Ali,em 1431, nasceu Vlad Drácula, conhecido como 'filho do Dragão'. A fama de empalador vinha do modo como matava suas vítimas. Estas eram amarradas, e estacas não muito afiadas eram cobertas com óleo, e em seguida introduzidas em seus corpos(abdômem, ânus ou no estômago), em seguida puxadas por cavalos,até que saíssem pela boca. Uma vez, cerca de 20 mil mercadores e boiardos de Brasov foram empalados na Transilvânia, em qua as árvores foram cortadas exclusivamente pra isso. Desde o século XIV, tanto a Valáquia, como Transilvânia, eram províncias dos Bálcãs,que ora eram vassalos da Hungria, ora do Império Otomano. Os principados dos Bálcãs tinham que se equilibrar entre esses dois poderes. Ao contrário do que se pensa, Vlad não era príncipe da Transilvânia, mas da Valáquia. Vlad nasceu na Transilvânia porque nasceu no período que seu pai, Vlad II, estava no exílio. A Transilvânia ainda era um principado agregado ao reino húngaro. Portanto,se fosse hoje, Vlad III teria nacionalidade húngara.

O nome de Vlad deriva do pai, que por sua vez, deriva do avô. Que por sua vez deriva de um general traidor(mais embaixo falo sobre isso). O codinome 'Drácula', ou 'Draculea', já tem uma origem diferente. O pai de Vlad fazia parte da Ordem do Dragão(uma ordem de cavalaria alemã), e acrescentou o codino DRACUL(O dragão) ao seu nome. Vlad III, ao entrar para ordem, colocou DRACULEA(o filho do Dragão). Esses termos vem do moldávio antigo, das raízes dos idiomas eslavos.

A fundação da Valáquia passa pelas origens do reino húngaro,no século X. A invasão da Hungria,pelos mongóis, em 1241,possibilitou o enfraquecimento do reino,e a independência dos principados dependentes do mesmo, como Valáquia e,mais tarde, Transilvânia. Todo o leste europeu foi devastado pelos mongóis,fato que explica seu atraso até hoje. Não vem do socialismo,como em geral se pensa. Pelo contrário. Foi por serem frágeis que se tornaram presas fáceis da onda vermelha soviética. Em 1301 cai a dinastia Árpád, na Hungria. Nasce a Hungria angevina, com parentela francesa. Foi daí que principados como Valáquia e Sérvia aproveitaram para emancipar-se. A Valáquia surgiu,como principado independente,em 1310. Surgiu com o clã dos Basarab. Desde então, este clã manteve uma certa independência em relação ao reino húngaro, formando o principado valaquiano. Mas uma nova força vinha avançando pelos Bálcãs, e ameaçando tanto o império Bizantino, como todo o leste europeu. Eram os turcos otomanos. Uma dinastia turca fundada por Osman. Vinham do Turquestão Ocidental. Por isso que turcos são parentes dos chineses,não dos árabes. Então, o Sacro Império Romano-Germânico resolveu criar, em 1408, uma ordem de cavalaria,chamada Ordem do Dragão. Tinha o objetivo de conter a ameaça turca na Europa. O imperador Sigismundo de Luxemburgo criou tal ordem, da qual faziam parte vários príncipes e nobres da Europa. Alguns membros fundadores foram Stefan Lazarević, da Sérvia e Hermann de Celje, sogro do imperador, e conde da Estíria. Outros membros notáveis eram Alfonso V de Aragão, Fernando I de Nápoles, Vlad II Dracul e,claro, Vlad III Draculea.

Na região da Dácia,onde hoje fica a atual Romênia(só criada no século XIX), surgem os principados valaquiano, transilvano e moldávio. Os dois primeiros vassalos da Hungria,e o último do ducado polonês. A Polônia só se tornaria um reino,separado do Sacro Império, no século XII. Não existiam, nesses territórios, os títulos de nobreza que conhecemos como duque,conde e marquês. A sucessão do chefe do principado, o Voivoda, era eletiva. Não era hereditária,como na Europa Ocidental. Um grupo de nobres, chamados boiardos, decidiam em assembleia qual sucessor do voivoda herdaria seu trono. Quando chegou o início do século XIV, o principado da Valáquia se tornou independente da Hungria. Na segunda metade do século, os valaquianos adotaram a crença ortodoxa, por influência do Império Bizantino. Isso em contrapartida com a Polônia e a Hungria, que eram católicas.

Se aproximando o fim do século XIV, um novo inimigo se aproximava dos Bálcãs: Os turcos otomanos. Vieram a cavalo do Mar de Aral, destruindo os reinos islâmicos por onde passava. Finalmente eles próprios se tornaram muçulmanos. Nessa época, o sultão Bayezid, conhecido como 'o relâmpago', foi tomando parte após parte do Império Bizantino. Isso deixou os principados eslavos em alerta, assim como os reinos búlgaro, sérvio, húngaro e polonês. Nessa época, o avô de Vlad III, príncipe Mircea, sentava no trono valaquiano. Havia traidores europeus que muitas vezes passavam para o lado dos turcos. Um desses era um general de confiança de Mircea: Chamava-se Vlad(mais tarde chamado de Vlad,o usurpador). Foi devido a esse general,e sua confiança nele, que Mircea colocou o nome em seu filho Vlad, mais tarde Vlad II. O general Vlad assumiu o trono valaquiano como Vlad I, após a Batalha de Rovine(1394). Mas isso durou pouco. Logo o principe Mircea recuperou o trono, e Vlad I seria expulso. Morreria pouco depois. Após isso, Mircea se recusou a pagar as taxas que o sultão otomano exigia. E não exigia só isso. Exigia 500 garotos europeus, para formar o exército de janízaros. Os janízaros eram o exército de elite do sultão, composto por 10.000 soldados, retirados dentre os meninos dos Bálcãs. Esses meninos eram islamizados, treinados e armados como o melhor do exército otomano. O sultão começou a avançar sobre os principados dos Bálcãs. Foi preparada uma cruzada, com ajuda dos reinos cristãos do oeste da Europa. A Cruzada de Nicopolis(1396) foi um desastre. Os otomanos estavam muito mais bem preparados,e os europeus se traíam uns aos outros. Soldados valaquianos roubavam soldados franceses pelo caminho. Húngaros torturavam turcos e sérvios ao mesmo tempo. Enfim, a batalha foi uma zona só.

Muitas das vezes os países se beneficiam dos inimigos dos seus inimigos. Uma coisa pôs um freio no avanço otomano. Em 1402 o exército otomano era arrasado por um inimigo maior. Os mongóis. O exército de Tamerlão, que vinha arrasando tudo pelo caminho, derrotou os turcos,aprisionou Bayezid, e deu um descanso para os principados europeus. Mas ocorreu que os turcos foram libertados por seus futuros inimigos. Galeras venezianas libertaram prisioneiros turcos,e os ajudaram a se recompor da derrota. Essa ajuda ainda sairia caro. Se Tamerlão não tivesse derrotado o Império Otomano, Constantinopla não teria caído em 1453, mas ainda nos tempos do sultão Bayezid. Os últimos anos do principado de Mircea I foram de 'corda bamba' entre os poderes otomano e húngaro, princialmente o primeiro.

Em 1436 o príncipe Vlad II, pai de Vlad, retorna do exílio da transilvânia, e retoma o trono valaquiano de um príncipe do clã danesti. Daí para frente Vlad III moraria no seu principado: A Valáquia. Em 1439 tem lugar na Europa o Concilio de Ferrara-Florença, em que os ortodoxos pedem ajuda aos europeus em geral para impedir o avanço turco. O Cardeal Júlio Cesarini encabeçava a Cruzada. Ela seria em Varna, na Bulgária, à beira do Mar Negro. Os resultados da Batalha de Varna(1444) são conhecidos. O exército cristão foi massacrado. O rei Ladislau da Hungria havia firmado um tratado de paz com o sultão Murad II, dos turcos. Mas o cardeal Cesarini o fez voltar atrás, alegando que “uma palavra dada a um infiel não vale”. Após a derrota, os janízaros exibiram a cabeça do rei Ladislau numa lança, e na outra lança o tratado de paz do rei. E chamavam o rei de perjuro.

Antes da Batalha de Varna, o príncipe Vlad II enviou os seus dois filhos caçulas, Vlad e Radu, aos turcos, como sinal de sua fidelidade. Se absteve de ir à batalha,e enviou seu filho mais velho, Mircea. Sua ideia era do sultão não maltratar seus filhos, se ele em pessoa não se juntasse à cruzada. Mas isso desagradou aos húngaros, e ao chefe do seu exército. O comandante dos exércitos húngaros era um príncipe cruel, que até o sultão tinha medo,chamado John Hunyadi, chefe dos chamados 'cavaleiros brancos da Hungria'. Este príncipe acusou Vlad II e seu filho de covardia na Batalha de Varna. Após a batalha, Vlad II e seu filho Mircea foram mortos por ordem de Hunyadi. Provavelmente enterrados vivos. Enquanto isso, Vlad e Radu ficaram no acampamento turco. Vlad passou maus bocados nas mãos dos turcos, já que seu pai e irmão foram mortos pelos húngaros. Enquanto isso, John Hunyadi colocava o seu fantoche, Vladislav II, no trono valaquiano.

Em 1448 os turcos libertam Vlad, enquanto Radu seria mantido para a tropa dos janízaros. Neste ano Vlad tomaria o trono valaquiano do seu oponente, usando suporte turco. Mas isso durou pouco. Dois meses depois, Vladislav retomava o trono com ajuda do exército de Hunyadi. Vlad ficaria no exílio na Moldávia por três anos. Quando passaram três anos, Hunyadi chama Vlad do exílio, porque seu fantoche ficou rebelde. Vlad jura lealdade à Hungria, e ele e Hunyadi, juntos, invadem a Valáquia e a Sérvia, respectivamente. Hunyadi perde a batalha contra os turcos,e é morto nela. Vlad vence na Valáquia,e retoma o trono em 1456. Mata seu oponente, e instala o terror no principado. Todas as lendas referentes a Vlad Drácula estão contidas nesse período, que vai de 1456 até 1462. Uma delas diz respeito a um cálice de ouro, que o príncipe teria colocado em praça pública, para a população beber água da fonte na praça. O medo das consequências era tanto que o cálice nunca foi roubado. A maioria dessas lendas teria origem russa ou turca, dependendo do fato.

Em 1462 os turcos atacam a Valáquia pela rebeldia de Vlad em não pagar os impostos, e recusar o envio de garotos para o exército de janízaros. Dizem que a esposa de Vlad se atirou do alto do castelo,para não ser prisioneira dos turcos. Vlad é obrigado a fugir para a Hungria, onde Mathias Hunyadi, ou Matias Corvino, filho de John Hunyadi, é agora o rei da Hungria. Chegando em Budapeste, Vlad é aprisionado por ser acusado de traição. Fica na prisão por cerca de 12 anos. Alguns documentos falam que somente até 1466, onde se casa com a irmã do rei, renega a crença ortodoxa, abraçando o catolicismo romano. O casamento foi um acordo para retomar o trono valaquiano. Em troca de sua 'conversão' e casamento, o papa e a Hungria enviam-lhe dinheiro e armas para recuperar seu principado. Durante todo o período que Vlad esteve na Hungria, seu irmão Radu foi príncipe da Valáquia, como fantoche turco.

Em 1474 Vlad começa seus preparativos para retomar seu trono. Reuniu tropas na Transilvânia, e até na Moldávia, do seu primo Stephan Bathory, para retomar o trono. Em 1476 Vlad marcha com seus aliados em direção a Valáquia. Seu irmão Radu já era morto,e foi substituído por pelo príncipe Basarab, do clã danesti. Vlad expulsou Basarab, e retomou o trono. Mas, após a vitória, seus aliados retiraram suas tropas, deixando sua posição enfraquecida. No mesmo ano os turcos invadem a Valáquia, vencendo Vlad numa batalha perto de Bucareste. A cabeça de Vlad foi cortada,e enviada ao sultão, e exposta em Constantinopla, como prova de que o empalador estava morto. Seu corpo foi enterrado no Monastério de Snagov.

Ainda hoje, as lendas de Vlad Drácula que chegaram até nós vieram,em sua maior parte, da Rússia e da Turquia. Foi de lá que o escritor Bram Stoker retirou seus dados. Foi Vlad que fundou a cidade de Bucareste, hoje capital romena. O castelo de Vlad, ao qual os filmes de vampiro tanto se referem, é o castelo Poenari, às margens do rio Arges. Não é o castelo de Bran, como muito se pensa. Até hoje sua história é distorcida em filmes de vampiros.

A Romênia que hoje conhecemos só surgiu no século XIX, como resultado da união entre Valáquia e Transilvânia. Isso foi após a Guerra da Crimeia, onde o império turco perdeu vários territórios. As lendas sobre Vlad surgiram na Rússia e Turquia por motivos diferentes. Na Turquia porque os turcos muçulmanos tentaram manchar seu nome, alegando que eram derrotados por um 'ser sobrenatural'. E na Rússia pelo ressentimento que ficaram em relação a Vlad, por este ter abandonado a ortodoxia, e abraçado o catolicismo. Em 1931 arqueólogos abriram a tumba de Vlad III, e encontraram apenas ossos de animais. Na Romênia atual, Vlad é hoje lembrado como salvador de seu país. E muitos rezam pelo seu retorno.

sábado, 24 de setembro de 2016

A extinção do Permiano

Para aqueles que gostam de estudar paleontologia, sempre vem aquela pergunta: A extinção dos dinossauros,ocorrida há cerca de 65 milhões de anos atrás,foi a primeira extinção de seres vivos no planeta terra? Não. Sabemos que a extinção dos dinossauros foi causada pela queda de um asteroide na Península de Yucatan, no México atual.

A extinção do Permiano,sendo muito anterior a dos dinossauros, ocorreu na Sibéria há 250 milhões de anos atrás. E não veio do alto, mas do fundo da terra, com as erupções de basalto,que é quando a terra emana rochas de basalto em forma de lava. E não contaminou apenas a terra,mas os mares. O fundo do oceano se aqueceu com as erupções,e passou a liberar bolhas de gás metano. O metano é um gás do efeito estufa cerca de 20 vezes mais tóxico que o dióxido de carbono. Seres vivos como o gorgonopsídeo(espécie de lagarto gigante,antecessor dos dinossauros)e os scutossauros(gigantes,parentes distantes das tartarugas)foram extintos. Poucos sobreviveram, buscando alimentos no fundo da terra. Destes, alguns evoluíram para os futuros dinossauros.

De onde veio,em termos de taxonomia, esse termo 'dinossauros'? Surgiu com um arqui inimigo de Charles Darwin(1809-1882): O paleontólogo Richard Owen(1804-1892)!Ele deu o nome que viraria um nome coletivo de milhares de espécies por milhões de anos. Essa 'classe' de animais não fez parte da classificação inicial de Lineu(1707-1778). Mas o quebra cabeça da idade da terra estava apenas começando.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Os 945 anos da Batalha de Manzikert

Muitas das pessoas, que aprendem sobre as Cruzadas na escola, não sabem que o evento que deu seu estopim não ocorreu na palestina, nem em Jerusalém,mas em um remoto ponto da Anatólia,hoje em território turco. Foi a derrota bizantina para os turcos seldjúcidas, em Manzikert,no final do século XI. Ali, em 26 de agosto de 1071, o Império Bizantino sofreria seu pior revés desde os tempos gloriosos de Basílio II. O imperador Aleixo Comneno recorreu ao Ocidente. E qual era a situação no Ocidente?Totalmente dividida. Deve-se lembrar que o 'racha' entre as Igrejas Romana e Grega fazia pouco tempo(1054),e Roma buscava recuperar sua parte arrancada,e o pedido de Bizâncio viria a ajudar muito essa causa.

No Ocidente haviam divisões papais,por causa das divisões imperiais,entre o imperador germânico e seus nobres vassalos. A Questão das Investiduras não morreu com o imperador alemão Henrique IV. Só seria definitivamente resolvida na Concordata de Worms(1122). O próprio papa Urbano II realizou o Concilio de Clermont-Ferrant(1095) no exílio,expulso de Roma pelo imperador Henrique IV. Resumindo: O antipapa Clemente III estava em Roma, enquanto o verdadeiro papa,Urbano II,realizava um Concílio na França.

Quais eram as condições do Império Bizantino quando se deu a batalha a qual perdeu boa parte do seu império? Durante 112 anos a França teve três reis: Roberto II, Henrique I e Felipe I...E o império bizantino teve 15,sem contar os 'autoproclamados' imperadores, que inclusive se utilizavam de ajuda do império turco para subir ao trono. Uma dessas 'ajudas' custou caro, a visão turca de como os bizantinos estavam frágeis.

Poucos tem essa noção étnica,mas os turcos não são parentes de árabes, são parentes de chineses. São parentes de tártaros,mongóis e Khazaques. Se tornaram islâmicos após conquistarem o Império Abássida. Vieram a cavalo do oeste da China em busca de terras no Ocidente. Os hunos inauguraram esse tipo de migração.

O efeito dessa batalha,e das Cruzadas, foi a ilusão de que povos islâmicos queriam(e podiam) dominar o mundo. E isso gerou conflitos morais entre católicos, ortodoxos e protestantes quando a dinastia turca otomana dominou os Bálcãs a partir do final do século XIV. O século XV traria um cenário de conflitos morais nunca vistos. A maioria deles inútil. Cenário político da época: A maior nação cristã do mundo está ameaçada de extinção,o Ocidente crê que em breve a Europa se tornará muçulmana. Os países da Europa se batem entre si,e muitos acham que o Velho Continente está decadente moralmente. Príncipes como Wladislau III,Ivan III,Casimiro IV,Vlad III,Matias Corvino,Carlos V e Luís II tentam montar uma barricada europeia para evitar o pior. As Igrejas Protestantes e Ortodoxas acusam o catolicismo romano de responsável pelo "Castigo de Deus e ameaça do Crescente Islâmico", devido à sua imoralidade. A mente das pessoas viaja em inúmeros 'apocalipses', por causa da ameaça turca. Em seguida vem os acontecimentos:Cai a maior nação cristã do mundo. A Europa entra em divisão total. Os turcos entram até 1/3 do território europeu. As pessoas começam a chamar o sultão de 'anticristo'. Parece algo com os dias atuais? Mas toda essa fantasia pára por aí. Os impérios islâmicos, por causa do próprio jeito como arrumam seus impérios,não têm capacidade para dominar o mundo. O exército de janízaros volta-se contra os sultões. O império começa a cair no alvorecer do século XVII. Dali para frente só será acuado pelos europeus. A América do Norte cresce. O último suspiro do grande império otomano dá-se em 1915,no fim da 2ª Guerra Balcânica.

Dessa batalha,e das Cruzadas,fica a lição de que não se deve converter à força os que não creem. O próprio conceito corâmico de Jihad é uma 'defesa da fé',não uma 'guerra santa'. Hoje até muitos cristãos e islâmicos torcem isso. E com um detalhe interessante: As Cruzadas contribuíram para o desenvolvimento do islamismo no Ocidente.Afinal, poucos sabem que foram cruzados franceses que construíram a primeira mesquita na França.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Arquimedes e o princípio de Cavalieri

Arquimedes, o geômetra de Siracusa, tinha na sua bagagem de escritos, um longo aprendizado com a geometria do Egito Antigo,e também com a aritmética de assírios e babilônicos. Esta coleção de conhecimentos vinha da Biblioteca de Alexandria,no Egito. Era o maior tesouro de conhecimentos do mundo antigo. Em sua época, a geometria e a aritmética eram territórios separados.Uma geômetra e filósofa chamada Hypatia preservou pra si muitos desses conhecimentos. Pena que nenhum escrito seu se salvou. Ela morreu por decreto da Igreja alexandrina.

Quando Alexandre Magno conquistou a Ásia até a Índia,e também o Egito e parte do norte da África, ele fundou cerca de 20 "Alexandrias" pelo Império.A única que vigorou foi a Alexandria do Egito. Nesta,o seu general Ptolomeu que se tornou rei do Egito após sua morte,começou um processo de helenização do país. Traduzindo:Ele começou a encher o Egito de cultura grega. E a grande biblioteca foi uma dessas consequências.

No século XVII da Era Cristã surgiu um matemático italiano chamado Bonaventura Cavalieri(1598-1647),que aumentaria muito as disposições de Arquimedes. Era um jesuíta,discípulo de Galileu Galilei(1564-1642),que escreveu uma obra famosa: Geometria indivisibilibus continuorum nova (Nova Geometria dos Indivisíveis Contínuos),em que foi colocado os 'Principios de Cavalieri',que são dois:

1º)Se duas porções planas são tais que toda reta secante a elas e paralela a uma reta dada determina nas porções segmentos de reta cuja razão é constante, então, a razão entre as áreas dessas porções é a mesma constante. E isso nos leva a dizer que as áreas das duas porções são iguais.

2º)Se dois sólidos são tais que todo plano secante a eles e paralelo a um plano dado determina nos sólidos secções cuja razão é constante, então a razão entre os volumes desses sólidos é a mesma constante. Em outras palavras: dois sólidos com a mesma altura têm o mesmo se seccionados por um plano paralelo ao plano onde estão assentados, geram áreas iguais.

Os Principios de Cavalieri são principios não recíprocos,ou seja, só valem para a ida. A volta pode ser verdeira, ou não. Muitos não sabem desse detalhe. Todos os sólidos(ou planos)que ele se aplica tem volumes e áreas iguais. Mas nem todos os volumes e áreas iguais se aplica esse principio.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

As partições do cone de Apolônio

Estamos acostumados com a ideia de que,não só a Geometria,mas toda a matemática deve ser demonstrada. Essa premissa sempre existiu? Não! Ela é de origem grega. Mais precisamente do período do helenismo. Um exemplo é a origem de todas as figuras planas circulares. Todas vem das secções do cone. Uma figura geométrica espacial. Todas elas: O círculo, a elipse, a parábola e a hipérbole, surgiram do cone.

Essa demonstração deve-se a um geômetra grego, chamado Apolônio de Perga(262-190 a.C.). Ele fez um cone, e faccionou-o em varias partes, originando as figuras planas circulares que hoje conhecemos. Tudo encontra-se no manuscrito "Cônicas", de Apolônio.

Mas a interpretação disso na matemática moderna ficou muito diferente. A elipse, por exemplo, é para nós o "lugar geométrico tal que a soma da distância entre os focos é constante." Para nós, na geometria, a propriedade preexiste ao objeto. Os gregos antigos não tinham essa noção. Havia, com certeza, várias linhas curvas, como o círculo, a concóide, a cissóide, a espiral e a quadratriz. Mas eles não tinham a nossa noção de curva. Nem perto disso. Os gregos antigos não tinham uma categoria conceitual que abarcasse todas as curvas. Para os contemporâneos de Apolônio, o objeto preexistia à propriedade.

Todo esse desenvolvimento moderno deve-se a dois advogados franceses, inventores da Geometria Analítica:Pierre Fermat(1601-1665) e René Descartes(1596-1650). Mas isso já é outra história...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Princípio de Le Chatelier bem à frente dos olhos.

A montagem dos chamados 'óculos fotocromáticos' segue o mesmo fenômeno que nos permite tirar fotografias. As lentes levam em sua composição incontáveis cristais microscópicos de haletos(Br,Cl ou F) de prata, os mesmos usados para cobrir os filmes fotográficos. Esses cristais compostos são transparentes, mas sensíveis à luz, especialmente à ultravioleta, que só está presente na luz direta do sol. Quando ela atinge os cristais, uma reação química separa o halogênio, transformando-o em gás. A prata que sobra não é mais transparente e por isso forma uma espécie de pontinho escuro no meio do vidro. Os milhares e milhares de pontinhos juntos formam a coloração desses óculos que escurecem automaticamente no sol. Já o gás de halogênio não escapa, pois está preso no vidro da lente.

Quanto maior a incidência de luz,maior o número de átomos de prata formados.O aumento da incidência de luz desloca o equilíbrio para a direita,fazendo a lente escurecer. Ao entrar em um local escuro,a diminuição da incidência de luz desloca o equilíbrio para a esquerda,clareando a lente.

Todo esse processo é possível graças as descobertas do químico francês Henri Louis Le Châtelier(1850-1936).Ele Promoveu a aplicação de química na indústria francesa, especialmente na produção de gás amônia, cimento, aço e cerâmica. Entre seus livros destacaram-se "Science and Industry" (1925) e "Method in the Experimental Sciences" (1936).

Essas lentes são chamadas de fotossensíveis ou fotocromáticas, e escurecem em contato com a radiação ultravioleta. A tecnologia surgiu no início da década de 1960, mas foram as recentes inovações que fizeram com que em ambientes internos as lentes voltassem a ser incolores em questão de segundos. "As lentes fotossensíveis funcionam como um filtro solar para os olhos. Estando claras ou escuras, elas bloqueiam 100% da radiação ultravioleta", afirma Adriano Abreu, gerente de comunicação e marketing da Empresa Óptica Transitions. O comércio mundial dessas lentes gira em torno de 16% e no Brasil representa mais de 3% das vendas no setor, segundo dados divulgados na revista View Magazine.

Uma pesquisa realizada em 2004, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), comparou o desempenho e comodidade visual entre lentes fotossensíveis e incolores. Um dos autores do estudo, o professor Newton Kara José, dividiu aleatoriamente um grupo de 30 pessoas, entre 21 e 35 anos, sem doenças oculares, mas que precisavam usar óculos de grau. Na primeira fase, durante 30 dias um grupo usou lentes incolores de resina e outro, lentes fotossensíveis. Os resultados mostraram a preferência por essas últimas, em relação às lentes incolores em ambientes externos, e não apresentaram dificuldades para serem usadas em ambientes internos. Em atividades como assistir filmes no cinema e na televisão houve discreta preferência pelo uso de lentes incolores.

Equação do fenômeno

O princípio de Le Chatelier aplica-se a situações de equilíbrio químico,onde são necessárias produções industriais em larga escala.

O princípio diz:Se uma perturbação é aplicada a um sistema em equilíbrio,o equilíbrio irá se alterar para reduzir o efeito da perturbação.

domingo, 1 de maio de 2016

Era a primeira brecha no sistema de Metternich...

Está havendo atualmente no mundo um sistema que tenta retroceder valores,mas não há retorno. Esse fato já ocorreu antes, há 200 anos atrás, no Congresso de Viena(1815). Esse congresso teve como objetivo apagar as conquistas da Revolução Francesa, retornar à monarquia, e voltar ao absolutismo. Reunia as três grandes monarquias vencedoras de Napoleão: Rússia, Áustria e Prússia. Falavam que se reuniam em nome da Santíssima Trindade. Algo similar a hoje,não? Mas se esqueceram de quem realmente venceu Napoleão, a Inglaterra. Esta, embora protestante,não estava interessada em valores morais para o planeta. E isso viria a ser, trinta anos depois, o sepultamento da causa conservadora austríaca.

O Congresso de Viena foi idealizado pelo premier austríaco Klemens Wenzel Von Metternich(1773-1859), que tinha pânico das novas ideias. Reuniu os países para fazer retroceder as causas que eles consideravam ateias. Quando os franceses fizeram manobras,com aprovação da Inglaterra, e colocaram Luís Filipe no trono francês, estava aberta a primeira brecha no sistema de Metternich...

Atualmente,com a possível eleição de Donald Trump para os EUA, parece retroceder aos tempos de Viena do século XIX, mas não há como deter o futuro. É tudo questão de tempo.

Tudo começou com a Primavera Árabe. Os islâmicos ficaram apavorados de entrar em seus países coisas como a internet e o feminismo. Reagiram permitindo a criação de grupos extremistas. A própria população estava apavorada. Nesse período via-se até cristãos apoiando a causa conservadora islâmica, pra se ver como a coisa ficou louca. Dizia-se que Deus, por castigo, permitiria que os muçulmanos dominassem o mundo. O povo parecia beduíno do deserto que bebeu haxixe...rsrsrs...Mas, quem conhece a cultura árabe, sabe que nunca houve menor possibilidade deles dominarem o mundo. Nem com Tamerlão ou Suleimã. Nem com o imenso avanço do Império Otomano.

Todas essas causas que tentam,hoje, ressuscitar, morrerão daqui a 20 anos, e não haverá mais retorno. A História sempre demonstrou isso. E mais, Deus não vai intervir na História, pois a deixará seguir seu curso,para provar seus filhos que deixaram o Estado misturar-se à religião.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O possivel retrocesso da monarquia

Tenho visto recentemente um mundo, não somente o Brasil, com um medo histórico do futuro. É receio social do que a pós modernidade trará, é incerteza com respeito a várias questões de fé religiosa, e uma confusão mental de medos apocalípticos, em vídeos sensacionalistas no You Tube.

O aprender via vídeos não é recomendado a quem quer "saberes" aprofundados. Mas quem quer ir até esse ponto? Quase ninguém. Só se quer saber ao que se precisa no momento. Isso basta? Até pode, porém não terá direito a reclamar se vires tua síndrome do pânico não se confirmar. O máximo que deves fazer é agradecer por nada acontecer, e considerares a ti mesmo, erroneamente, como 'prevenido'.

Participei recentemente de um debate onde se perguntavam sobre a monarquia ser o melhor Regime de Governo ou não. Depende. As melhores democracias do mundo são monarquias, com exceção de França e EUA. Realmente o regime monárquico está se pagando por uma pompa desnecessária, porém um país a comando de militares é bem mais danoso. O Brasil teve um ótimo exemplo, e um péssimo exemplo. D. Pedro II e D. Pedro I, nessa ordem. Mas o problema do Brasil não era o regime, era sua raiz corrupta aprofundada, até um pouco derivada do catolicismo, como dizia Max Weber.

Muitas vezes tem se confundido o regime de um país com seus dirigentes. Um exemplo disso foi o governo do Nordeste brasileiro pelo Príncipe Jean Maurice de Nassau-Siegen. Muitos amigos meus protestantes cometem o engano de imaginar que estaríamos melhores se os holandeses tivessem nos colonizado. Não, ledo engano. A Companhia das Índias Orientais fez um estrago em suas colônias no sudeste asiático. Quando foi criada a Companhia das Índias Ocidentais para invadir o Brasil e a América Central(Antilhas), foi com o mesmo objetivo. Para a Corte em Haia não interessava desenvolver o Brasil, somente explorar. O Principe Nassau foi que teve essa ideia. Por isso o chamaram de volta em 1644. Dizem que chorava ao deixar o Brasil. Nassau era tal qual D. Pedro II. Uma andorinha só não faz verão.

Ao deixar o Brasil, sob pressão da Companhia das Índias, Nassau deixou o seguinte aviso:

"A potência de um governo não se deixa medir pela superfície,mas pela fidelidade,devoção e respeito aos indivíduos(...) A palavra 'imposto' soa muito mal; não os aumentem, mesmo que seja para pagar as dívidas do Estado(...) Só executem as instruções dos diretores se elas forem úteis à Colônia."

Um bom dia a todos!!!

Primeira página da patente da Companhia das Índias Ocidentais(WIC)